“Não quero fazer uma arte enrolada em palavras vazias e ocas”: Yola Balanga

“Não quero fazer uma arte enrolada em palavras vazias e ocas”: Yola Balanga

27 de novembro de 2019

Yola Balanga nasceu há 25 anos, em Luanda. Licenciada em Artes Visuais, vai se afirmando nas lides artísticas como performer, cujo trabalho fala essencialmente sobre as limitações culturais do corpo feminino.

A artista sempre nutriu uma paixão por artes visuais, porém o gosto pela prática surgiu no começo da sua formação superior no Instituto Superior de Artes. “Onde se manifesta de uma forma mais intensa no meu 3.º ano de formação”, partilhou.

Sem definição para a artista que é, Yola Balanga acredita ser um “corpo expandido” e a concepção das suas obras parte da performance, onde surge sempre um objecto que resulta da acção feita durante a exibição. 

Residiu em Cabinda por 9 anos e conviveu com mulheres que passaram pelo Tchikumbi. O contacto com a cultura Ibinda permitiu-lhe, anos depois, obter a licenciatura com o trabalho ‘Tchikumbi como Performance de Transcendência do Corpo Feminino’.

A talento garante que a performance sobre o ritual Tchikumbi, reflecte a tradução de tudo que vinha se propondo a alcançar como artista. E o trabalho em questão envolve auto-conhecimento, suas inquietações e fantasmas interiores.

“Ao ter conhecimento sobre a existência dessas inquietações consegue-se combatê-las por intermédio da arte, usando o corpo como suporte, documento, registo, ou como um meio de libertação física, emocional e espiritual”, fundamenta.

Em Outubro passado, no Open Studio da residência artística Luuanda, a artista visual apresentou o trabalho ‘O Som das Mortas’ (2019): uma obra em vídeo-performance, fotografia e pintura em tecido que chama atenção sobre o drama do número crescente de mulheres assassinadas.

“Essa obra propõe um olhar mais aprofundado sobre a real causa de cada morte, de cada assassinato cuja vítima é mulher, a fim de mudarmos a situação. Lourenço, não quero fazer uma arte enrolada em palavras vazias e ocas”, sublinhou.

Yola Balanga disse ainda que as residências artísticas que fez no Atelier Solar, em Madrid-Espanha, e em Luanda, organizada pelo colectivo Pés Descalços, serviram de impulsos para continuar a fazer e a pensar arte na linguagem que se propôs fazer.


Texto: Lourenço Mussango

Fotografia: Alcides da Conceição

Fonte: Neovibe

Tags: #YolaBalanga , #ArtistaVisual , #Performer , #RitualTchikumbi , #OSomDasMortas