Phay Grande O Poeta há 6 anos impedido de lançar novos projectos

Phay Grande O Poeta há 6 anos impedido de lançar novos projectos

9 de agosto de 2018

Osvaldo Nhanga, de 34 anos de idade, é conhecido desde 2004 devido a originalidade com que aborda as inquietações dos guetos de Luanda. Seis anos depois de o rapper distanciar-se dos fãs, reaparece com projectos novos, que carecem de patrocínio.

Phay Grande O Poeta nasceu na Maianga. O rapper é o autor da letra ‘Povo Burro’, considerado por muitos um clássico do rap nacional. O artista conta que entrou no mundo do Rap aos 18 anos. A efervescência em reportar o modo de vida e as dificuldades que os habitantes das zonas suburbanas enfrentavam, fê-lo interessar-se pelo estilo artístico juvenil emergente entre os anos 50 e 70 nos Estados Unidos.

Contudo, depois de seus adeptos perceberem as razões das suas lutas, pouco ou quase nada mais se falava deste artista, até o lançamento da coletânea ‘Ou uma ou Outra’, 2011/2012. Todavia, o artista diz que nunca esteve parado. Revelou que tem novos projectos que não consegue lançar durante esse tempo por falta de patrocinadores, mas exige algumas condições para quem quiser juntar-se a si.

“O público é que pensa que estou desaparecido, porque estou há três anos sem lançar algo novo. Eu faço rap todos os dias. Neste momento tenho muitas músicas gravadas e o projecto concluído. Preciso de patrocínio para o publicar, desde que não interfiram nas minhas letras”, esclareceu.

Diferente de outros rappers, Phay Grande O Poeta é um underground que não tem como centro temático assuntos políticos. Sua verticalidade consigna-se nas vivências sociais e no quotidiano da juventude dos guetos da cidade de Luanda. A luxúria, a vaidade, o exibicionismo dos jovens também integram a lista das suas abordagens.

Com dois álbuns no mercado, intitulados ‘Pão Burro’ e ‘O que é isso’ e outras colectâneas, cada trabalho do talento procura trazer à tona conteúdos específicos relativos à determinada época, mas nunca foge de falar dos bairros, que considera mais pobres. No novo projecto, o Mc do Katambor diz trazer mensagens que reflectem sobre a vida dos artistas, a mocidade, os guetos e a suplantação do Rap comercial pelo underground.

Solteiro, o rapper conta que, por não ter frequentado a faculdade e continuar a viver no Katambor, é discriminado pelos próprios colegas de profissão e agentes da cultura que, quando há espectáculo pagam duas vezes menos que os demais artistas, mas o rapper continua a ver o seu bairro Katambor como a principal fonte de inspiração para suas músicas.
“Canto sempre a partir do Katambor, que é a minha fonte de inspiração. Muitas vezes sou discriminado por viver aqui e não fazer faculdade”, queixou-se.

Depois de ter terminado o curso médio em Electricidade no Instituto Médio Industrial Simione Mucune, Osvaldo dos Santos Nhanga narra que não mais se interessou em fazer o teste para ingressar à faculdade, entretanto, sublinha que não leva a música como carreira. “Concluí o médio e não me interessei em ir testar na Universidade Agostinho Neto. Não levo a música como carreira” contou.

À Neovibe, Pai Pequeno, como é carinhosamente tratado em casa, revelou que trabalha como electricista, mas o amor pela arte o faz trocar a electricidade pelos estúdios arrojados, que montou na sua própria casa, no bairro Katambor, Distrito Urbano da Maianga.
“Enfim! O estúdio está um coxe desmantelado, mas produzo sempre a partir de casa”, informou.
Gravadas que estão as músicas, o artista diz estar de braços cruzados à espera de apoios, contudo, sublinha que não aceita interferências nos conteúdos das letras. “Já não estou a fazer mesmo mais nada. Todas já estão gravadas. Mas não mudo a mensagem”, realçou.

Durante os anos de rap, Phay Grande O Poeta produz e lança as suas próprias músicas e partilha que, por tanto gostar de rap, colava os panfletos de rua em rua e transmitia de boca em boca a venda dos seus trabalhos discográficos.

Ardente, o liricista critica a forma como é levado o estilo. Para si, o facto de muitos trocarem o underground pelo Rap comercial, Semba, Kuduro ou Afro-House, justifica-se porque os rappers apenas queriam fama e dinheiro.

“O rap comercial está a dar surra ao underground. Há mais comercial na rua do que under. Viram que no under não tinham sucesso e, pularam para comércio. Só queriam dinheiro e fama”, acusou.

O defensor do Katambor, como é apelidado pelos fãs, explica que, ao contrário do que se pensa, o rap underground não tem um cunho político, é apenas uma música não dançante e mais preocupada com a mensagem.

O cantor aconselha os colegas, lembrando que começou do zero e até agora não tem grandes casas nem carro e continua a andar a pé. O under diz estar ciente de que o estilo que escolheu tem dessas.

“Não tenho grandes casas nem carro e contínuo a andar a pé. Enfim! Já me contentei que Rap é mesmo assim e estou a me virar”, desabafou.

Aparentemente agastado, O Poeta das periferias denuncia que, a maior parte dos patrocínios exploram os artistas e os Meios de Comunicação Sociais marginalizam os unders, por isso exorta os amantes do Rap a ajudarem os artistas, comprando os discos.
“Os patrocínios é tudo fachada, é do tipo «vou usar esse homem para depois ganhar mais com ele». Sem falar dos Media, que só marginalizam”, denunciou.
Firme na sua luta, Phay Grande O Poeta, diz que nunca o verão fazer fusão com o Semba, Afro-House ou qualquer um outro estilo.


 

Texto: Albino Tchilanda

Fotografia: Santo César

Fonte: Neovibe

Tags: #PhayGrandeOPoeta , #Rapper , #Underground , #Katambor , #NovosProjectos