Professor guineense preocupado com a ausência de uma geração que substitua a da Mensagem

Professor guineense preocupado com a ausência de uma geração que substitua a da Mensagem

7 de junho de 2019

Mário Joaquim Aires dos Reis doutorou-se em literatura de Manuel Rui Monteiro. O crítico literário considera a Literatura Angolana uma das “mais ricas” dos PALOP e alerta para o seu declínio. Mas acredita que escritores como Ondjaki podem contornar tudo.

Natural da Guiné-Bissau, docente da Universidade de Lisboa e convidado da Katyavala Bwila, Mário Joaquim Aires dos Reis vive em Angola há oito anos e é fascinado pela literatura angolana.

O académico confessou ao Nova Gazeta que está preocupado pela ausência de uma nova geração de escritores que substitua àqueles conotados com a denúncia do jugo colonial.

“Preocupa-me que a geração de escritores conotados com a denúncia do jugo colonial esteja a desaparecer e não há uma outra que substitua”, desiludiu-se.

Embora reconheça o esforço da nova geração de poetas, o crítico literário lamenta o surgimento de novos talentos ligados ao mundo da escrita.

“Há figuras que publicam um livro de poemas e acham que já são poetas. Não tem estado a emergir, na cultura angolana contemporânea, novos talentos!”, lamentou.

O docente acredita que escritores como Ondjaki podem contornar a situação, desde que o governo se comprometa em tornar a escrita mais atractiva.

“Em Angola, temos o caso emblemático do Ondjaki, que, nos novos escritores, é o único que se destaca. O horizonte é preocupante porque o número de escritores devia multiplicar-se, mas está a acontecer exactamente o contrário”, sublinha.

Para si, a maioria dos jovens que agora se afirmam na arte inclinam-se mais na música e nas artes plásticas, evitando a literatura e explica que este fenómeno é causado pelo nível de literacia da nova geração.


 Texto: Albino Tchilanda

Fotografia: D.R.

 

Fonte: Nova Gazeta

Tags: #LiteraturaAngolana , #GeraçõesLiterárias , #CríticaLiterária , #NovosEscritores