Áurea Cadete sonha ser lembrada como uma artista talentosa de opiniões sólidas e contundentes

Áurea Cadete sonha ser lembrada como uma artista talentosa de opiniões sólidas e contundentes

9 de agosto de 2018

Áurea Cadete nasceu em Luanda, no Kilamba Kiaxi, a 22 de Abril de 1996. Finalista do curso de Relações Internacionais, a jovem artista tem dado voz a vários clássicos do cancioneiro angolano.

“Gosto muito de dançar, meu corpo não obedece quando toca uma boa música. Amo cantar e tenho uma paixão pela escrita e, consequentemente, pela leitura”, introduziu-se.

Desenvolveu o gosto pela música por causa da exposição a que esteve a essa arte. Ouvia muita música, tanto em sua casa como em as de outros familiares.  “Mas as memórias levam-me à casa dos meus padrinhos, pois lá ouvia-se muita música brasileira (MPB e Bossa nova). No entanto, em casa dos meus pais ouvia-se bastante música, meu pai e meu irmão, alegravam as nossas tardes com músicas muito boas”, frisou.

Foi através de seu irmão, que Áurea Cadete passou a ouvir Boss AC, Guto, Killa Hill, Heavy C, Gabriel O Pensador, MCK e SSP. Por sua vez, em companhia de seu pai ouvia os irmãos Mingas, Waldemar Bastos, Bonga, Pedrito e muita música Latina. Com o passar dos anos foi acompanhado a evolução da música e actualizando a prateleira de sua casa com álbuns de cantores como Yuri da Cunha, Yola Semedo, Toty Sa’Med e Aline Frazão.

“Com o passar dos anos e por influência de um grande amigo e artista, Samuel Canda, fui ouvindo outros artistas e criando a minha própria playlist, com músicas de Amy Winehouse, Michael Bublé, Seu Jorge, Nina Simone, Gary BB, Maria Gadú, Etta James, Otis Redding, Paulo Flores, Kizua Gourgel e tantos outros”, disse.

Áurea considera-se uma eterna aprendiz. “Pois estou disposta a aprender novas coisas ligadas à música, principalmente ao Jazz. Não gosto da ideia de «já saber tudo ou muito». Quero me permitir a aprender eternamente”, contou.

Amy Winehouse foi a maior influência musical de Áurea Cadete, pois, foi a primeira cantora que ouviu e interpretou nos pequenos festivais da sua escolinha. “Digamos que foi com ela conheci o Jazz na sua essência. Porém, com o tempo fui adicionando outros artistas a minha lista de influências, dentre eles, a Nina Simone. E dou um certo destaque a esta senhora, por ter sido negra, por ter sido ativista e por nunca ter desistido apesar das dificuldades ligadas principalmente ao racismo. Sinto que temos muito em comum. Dentre outros músicos que são até hoje as minhas maiores influências destaco os meus amores da música: André Mingas, Waldemar Bastos, Paulo Flores, Filipe Mukenga, Toty Sa’Med e Aline Frazão”, revelou.

Nos últimos dias, Áurea tem sido vista a interpretar clássicos do cancioneiro angolano. Para a jovem cantora, a música angolana é especial, é marcante e vivaz. “E quase todas as músicas deixadas pelos artistas de outras gerações têm uma mensagem marcante, têm uma história importante, então penso ser um pecado, começar a cantar, sem ao menos ouvir o que as gerações passadas nos deixaram”, frisou.

De acordo com Áurea, não há como ouvir Belita Palma, os Kiezos e David Zé e não se emocionar. Para si, tem sido e será sempre uma honra interpretar as músicas do cancioneiro angolano.

Recentemente Áurea cantou Belita Palma, Waldemar Bastos e André Mingas. “Interpreto Belita Palma, por ter sido uma mulher importante que usou a voz para se impor contra o sistema colonial. Considero Waldemar Bastos e André Mingas, artistas com uma sonoridade muito particular, difícil até de ser interpretada. Pretendo interpretar outros nas próximas ocasiões”, contou.

Áurea tem músicas autorais escritas, mas não estão gravadas ainda. As músicas, têm temáticas variadas, umas sobre o amor e dor, outras sobre a beleza do sol e do mar. “Comecei agora a escrever o que eu gosto de chamar «música carta». São músicas com mensagens específicas, que eu pretendo usar para expor as minhas opiniões sobre determinados assuntos, como preconceitos, política, história, feminismo, machismo, femicídio, violência e muito mais”, advertiu não ser feminista.

Tocando a sua viola, o músico e slammer Bona Ska tem acompanhado Áurea Cadete nos palcos onde esta se apresenta. “Partilhar o palco com Bona é óptimo, porque ele tem uma energia muito boa. Tem uma aura linda e bem iluminada. Temos uma boa comunicação, mesmo em palco. É um grande artista!”, agradeceu a Ska pela paciência e vontade de ajudar.

Áurea Cadete foi a cantora convidada da 2.ª edição do concurso de spoken word ‘Muhatu’. Perante um público feito de artistas e amantes da palavra falada, a jovem cantora interpretou Belita Palma. “Cantar no Muhatu foi uma experiência mais que boa. Eu não sabia que havia tantas mulheres jovens a fazer arte, que havia tanta mulher consciente atenta ao que se passa ao nosso redor. Foi maravilhoso estar ali, principalmente porque cantei para a minha cantora angolana favorita, Aline Frazão.  Fiquei trémula quando a vi e cantar também para um dos maiores rappers da minha geração Cfkappa, bem, foi uma noite inesquecível! A organização está de parabéns”, elogiou.

Áurea gostaria de fazer dueto com Aline Frazão, por considerá-la uma cantora muito especial, com características musicais próprias. Paulo Flores e Seu Jorge são dois outros músicos com quem Áurea gostaria de fazer dueto.

Tem estado a trabalhar na composição de músicas para um projecto atrevido, “a gravação de um álbum em vinil”. Prometeu adiantar mais informações sobre o projecto assim que tiver tudo bem solidificado.

“Sonho ser lembrada como uma artista talentosa, de opiniões sólidas e contundentes. Nada mais que isso. Esse é o meu verdadeiro sonho”, revelou.

Áurea sente que se torna imortal cada vez que canta. “Todas as células mortas do meu corpo, voltam a ganhar vida quando canto”, terminou.


 

Texto: Lourenço Mussango

Fotografia: Leni Staff

Fonte: Neovibe

Tags: #ÁureaCadete , #Intérprete , #Compositora , #Sonhos&Objectivos