Centro Cultural Português revisita a obra de Manuel Rui Monteiro

Centro Cultural Português revisita a obra de Manuel Rui Monteiro

16 de abril de 2018

No âmbito da iniciativa ‘Escritor do Mês na Biblioteca Camões’, O Centro Cultural Português deu início hoje, 16 de Abril, na sua biblioteca, em Luanda, a apresentação da trajetória literária do escritor Manuel Rui Monteiro.

Segundo Teresa Mateus, directora do Centro Cultural Português, a actividade visa não só a divulgação dos trabalhos de escritores lusófonos (angolanos e portugueses), mas também o incentivo à leitura.

A directora explicou que a escolha de Manuel Rui para este mês liga-se a dois factores: "Associamos dois elementos ao mês de Abril. Por um lado o 25 de Abril em Portugal, que marcou o fim do regime fascista que sustentava o regime colonial em Angola. Por outro lado, é também o mês da paz no território angolano. Os dois países estão a festejar essas duas grandes datas da sua história e o escritor Manuel Rui entra por causa do hino nacional angolano e também porque esteve a lutar contra o fascismo em Portugal, além de tantas obras por si escritas e que precisam ser conhecidas por leitores mais jovens e não só”, sustentou.

Nesta terceira edição, os apreciadores da literatura angolana têm a oportunidade de conhecer detalhadamente o percurso de um dos maiores autores da nossa literatura.

A partir de hoje, dia 16, até ao dia 26 do mês em curso, das 10h00 às 11h30, os apreciadores da literatura angolana têm a oportunidade de conhecer detalhadamente o percurso de um dos maiores nomes da nossa literatura e desta forma saber um pouco mais sobre as obras do romancista, contista, ensaísta e poeta.

Com uma vasta obra publicada, a sua prosa, quase sempre poética, está profundamente marcada por preocupações estéticas de um realismo social, que celebra o homem comum, quase sempre de Angola. Muitas das suas personagens revelam-se caricaturas de comportamentos perversos.

A sátira e a ironia são os recursos estilísticos predominantes nas obras de Manuel Rui, figura de relevo da literatura angolana.

Manuel Rui manteve sempre uma estreita colaboração com diversos jornais e revistas. No triângulo da Língua Portuguesa constituído por Angola (‘Jornal de Angola’, entre outros), Portugal (‘Público’ e ‘Jornal de Letras’) e Brasil (‘Terceiro Mundo’).

É um dos fundadores das edições Mar Além, onde foi editada a Revista de Cultura e Literatura dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA), União dos Artistas e Compositores Angolanos e da Sociedade de Autores Angolanos.  Também é autor de várias canções em parceira com Rui Mingas e André Mingas, bem como com Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo (Portugal), Martinho da Vila e Cláudio Jorge (Brasil). A sua vertente literária inclui uma vasta obra de poesia e de ficção publicados desde 1967. 

É autor do primeiro livro de poesia e do primeiro livro de ficção publicados em Angola após a Independência. Entre os vários prémios em que foi distinguido conta-se o Caminho das Estrelas 1980, pela emblemática obra ‘Quem Me Dera Ser Onda’, já adaptada ao teatro em Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Em 2003, foi galardoado com o Prémio Nacional de Cultura na área da Literatura, ao qual renunciou. Alguns dos textos encontram-se traduzidos em umbundu, alemão, espanhol, hebraico, finlandês, italiano, servo-croata, sueco e russo.

Manuel Rui nasceu no Huambo, em 1941. É licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Portugal. Após o 25 de Abril, regressou ao país, tornando-se ministro da Informação no governo de transição. 

Foi também o primeiro representante de Angola na Organização de Unidade Africana e director do Departamento de Orientação Revolucionária e do Departamento dos Assuntos Estrangeiros do MPLA.

 

Texto: Neliengue Sancho

Fotografia: Leni Staff

 

Fonte: Neovibe