Afrikkanitha prova mais uma vez que é um exemplo a seguir

Afrikkanitha prova mais uma vez que é um exemplo a seguir

5 de outubro de 2018

Natural do Uíge, Afrikkanitha, de 44 anos, começou a cantar na infância. Ao lado do ex-esposo, Simmons Massini, a jazzista publicou três álbuns. Agora num estilo distinto, a cantora lança o 4.º disco com mais de 3 mil cópias e conta com novas participações

Apesar de ter descoberto suas habilidades artísticas aos 4 anos, foi no grupo N’Sex Love que Eunice Quipuco Piedade José, artisticamente conhecida por Afrikkanitha, se torna conhecida. O desejo de fazer algo novo fê-la desvincular-se deste conjunto e, mais tarde, seguir a carreira a solo.

A paixão pelo Jazz, Afro-beat, Funk, Marrabenta, Bossa Nova, Massemba e outros estilos de matriz africana viria nortear a vida da cantora.

A prova de que nasceu para o Jazz e com ele disposta a morrer, verificou-se em 2014 quando cria a Kanitha Magazine, a primeira e única revista angolana que se dedica ao estilo concebido pelos negros de New Orleans, Estados Unidos da América.

Hoje parece que a luta está ganha. A jazzista conta com três obras no mercado, várias participações e forja o quarto disco com a colaboração da pianista norte-americana Annie Jules e Lilly Tchiumba, de Angola.

A história que começa com os álbuns ‘Weza’, ‘Salmos de David’ e ‘Ainda Sonho’, actualmente contagia o mundo todo. O contacto com a cultura Ocidental levou-a a aperceber-se de que o mundo respeita os artistas genuínos.

Seu talento e desempenho garantiram-lhe a gravação com uma das bandas dos anos 70, que gravou os norte-americanos Tina Turner e James Brown.

Diferente dos outros álbuns, o novo trabalho discográfico de Afrikkanitha intitulado ‘Alento’, conta com oito músicas escritas por si. As letras são um retrato da problemática da mulher. Entretanto, a cantora adverte que o título pode sofrer alguma alteração, por causa de mais um tema que pretende acrescentar.

“Já está tudo pronto: o master e capa já estão na fábrica. O título é ‘Alento’, mas pode mudar, porque há necessidade de se acrescentar mais uma música”, assegurou.   

Sem adiantar a data do lançamento da obra, a cantora apenas assegurou e revelou que, em breve, vai informar os fãs. Encontra-se, também, a trabalhar num outro disco em simultâneo com o ‘Alento’.

Uma das grandes novidades é que o ‘Alento’ apresenta apenas piano e voz. E, apesar de ser o mais simples de todos os outros álbuns, a 4.ª obra discográfica precisou de cerca de 18 meses para ser gravada.  

“Olha, foi o projecto mais simples, mas, por razões alheias à minha vontade, tive que esperar dois anos para a gravação”, argumentou.

Separada há dois anos do guitarrista Simmons Massini, com quem viveu mais de 20 anos e teve os pequenos O'nnely Simone, Wesley Emmanuel e Jazzlyn Maiara, Afrikkanitha garante que mantém boa relação com o ex-esposo.

Embora seja reconhecida como uma grande artista e senhora do Jazz em Angola, Afrikkanitha ainda não se sente realizada. Seu desejo é fazer parceria com Dianne Reeves, Concha Buika, René Marie.

Neste momento, Eunice Quipuco Piedade José está a concluir os estudos de Jazz na Florida Memorial University, em Miami. Para si, nunca é tarde para se formar quando se pretende atingir um sonho.

“Estudar é importante e estou muito feliz porque, apesar de me formar tarde, estou a fazer o que sempre quis. É um sonho que se torna realidade”, orgulhou-se.

Dificilmente, a entrevistada fala da sua verdadeira origem, contudo, preferiu abrir uma excepção à Neovibe.  A cantora revelou que é a única da família a nascer no Uíge, porque os pais são oriundos da Luanda e Kwanza Sul, respectivamente.

“Não gosto de falar sobre isso, porque não tenho ligação nem informação sobre a terra em que nasci. Se não for importante passamos à outras questões”, aparentemente desconfortável com a pergunta, contou.


 

Texto: Albino Tchilanda

Fotografia: Cedida pela cantora

Fonte: Neovibe

Tags: #Afrikkanitha , #Cantora , #Jazzista , #NovoÁlbum , #Alento