“Não acredito em inspiração”: Manuel Rui

“Não acredito em inspiração”: Manuel Rui

30 de agosto de 2019

Decorreu na tarde de ontem, no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, o evento cultural Textualidades. Em conversa com leitores, o escritor Manuel Rui falou sobre o seu vasto percurso literário.

Questionado sobre o papel da música na sua produção literária, Manuel Rui afirmou que não há vida sem a música. Observou que, tal como a música, a literatura não foge à regra de ser um exercício de harmonia.

A moderadora da conversa, Sandra Poulson, sublinhou que, nas suas obras, Manuel Rui viaja muito pela ancestralidade. O escritor, por sua vez, respondeu que acredita na influência dos nossos antepassados e no magnetismo entre as pessoas.

“Acredito na ancestralidade como um acumular de sabedoria que cada um de nós transporta. O magnetismo também me faz entender que na tradição só há consensos. Continuo a pensar que os consensos fazem parte da nossa idiossincrasia e pensar africano”, disse Manuel Rui.

Abordado por uma leitora sobre o que o inspirou a escrever o livro Quem Me Dera Ser Onda, Manuel Rui afirmou que não acredita em inspiração.

“Não acredito em inspiração. Primeiro, para escrever literatura, é preciso ter domínio da língua. A escrita tem regras, e uso-a para desconstruir comportamentos e reorganizar o caos”, enfatizou. 

Manuel Rui aproveitou a ocasião para falar sobre as suas viagens, parcerias literárias e musicais, sem esquecer da sua vivência ao lado de Ruy e André Mingas.

A pedido do escritor do hino nacional, os presentes colocaram-se em pé e bateram palmas à memória da renomada professora Amélia Mingas.


Texto: Lourenço Mussango

Fotografia: Alcides da Conceição

Fonte: Neovibe

Tags: #Textualidades , #ConversaComLeitores , #MAAN , #ManuelRui , #EscritorConvidado